terça-feira, abril 10, 2007

Lamúrias



As pessoas querem se casar. Premissa antiga, do tempo da minha avó. Pessoas modernas leêm livros com boa crítica nas revistas de grande circulação, usam notebooks, compram camisetas de tecidos tecnológicos, ouvem música em tocadores de mp3, tomam cafés em cybers e cultivam tradições antigas como o casamento, por exemplo. André é um cara moderno... mais do que isso: é gay! Isso faz com que se eleve tudo o que foi mencionado sobre uma pessoa moderna ao cubo. André tem 30 anos, é um cara moderno, mora com os pais (traço de modernidade???), tem emprego estável, recebe um bom salário, dirige um carro popular zero km, que em breve pretende trocar por um importado, tem bons amigos e família que o ama. É bonito o rapaz. Não fuma, pratica exercícios físicos regularmente, ingere bebidas alcoólicas com moderação e pode conversar sobre qualquer assunto. André não costuma doar-se por inteiro nas relações e tampouco é aquele que sofre com o fim destas. Está bem... André é imaturo. André fora dotado com um membro fálico acima da média. Tem planos bem definidos pro futuro e se busca algo, geralmente consegue. Então por que André não consegue um namorado? André é uma pessoa que quer casar e até que pintam pessoas bem interessantes no seu caminho: o biólogo, o advogado, o encanador, o empresário, o médico, o estilista... Mas André não quer só um sujeito com profissão. André quer um gentlerman, afinal educação vem de berço e não depende de condição social. André quer um sujeito perceptivo, que ao menos possa perceber que sua viagem de 50 km pode ser recompensada com bom-humor e uma refeição mais elaborada. André quer gozar (e muito!). André quer delicadeza, sutileza e, em situações não muito esporádicas, glamour. Em suas orações André tem pedido tornar-se menos exigente, do contrário sabe que ficará só.

sábado, abril 07, 2007

Clássico não é clichê

(texto da época da facul... Que saudade de estudar!)




Acredito que "clássico" não pode ser considerado como padrão a fim de moldar a literatura, porque para ser arte esta deve preservar o caráter múltiplo e diverso; tampouco devemos conceber o conceito de clássico como o centrifugismo, o superficialismo, o clichê, pois estaremos fadados a enterrar vivas as grandes obras artísticas da humanidade.


O problema com o termo "clássico" é que cada literato apresenta uma definição diferente, no entanto, há um consenso entre estudiosos, filósofos e pensadores que dão o cunho de tradição a este. Pensemos aqui, tradição como guia, não como norma. O mais interessante disso é que, se analisarmos as diferentes concepções sobre obras clássicas há uma magia que as envolve e faz-nos refletir sobre como uma obra brasileira pode ser estudada na França, por exemplo, com o mesmo afinco que é analisada no país de origem ou, ainda, como escritores tão diferentes podem entrar no rol acadêmico com a mesma força, apesar de tão distintos.


São, sem dúvida, obras que foram grandemente lidas ou revisitadas, imitadas, porém nunca superadas. Para mim, clássico é força inesgotável que uma obra ou um autor liberam trazendo consigo atemporariedade e universalidade.


Antes de terminar, quero falar que, literatura clássica não pode ser inútil nem covarde. Se há críticos que teimam em estreitar o conceito de clássico à obras centenárias, quero dizer que clássico é como Barthes proferia: "o que cala fundo n'alma". São clássicos os escritos que comovem, despertam, educam e humanizam.




P.S.: Como tô relendo toda a obra do Caio, ele é clássico pra mim.




P.S. 2: Nota do professor Richard: "Tuas palavras demonstram um profundo amor pela matéria escrita. Escreves muito bem, com destreza e aguçado senso crítico. Gostei de tudo!"
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