segunda-feira, março 24, 2008

Crônica sobre os Reis


Vasculhei tanto o teu Orkut que achei uma forma de contato: um nome de uma empresa e, em seguida, o número de um telefone. Liguei e alguém me atendeu... Não eras tu. Depois não liguei mais. Coloquei a cabeça no lugar e lembrei que todas as vezes que recebi este tipo de telefonema ou fiquei constrangido ou fiquei penalizado. Além do mais, reparei também que receberas scraps de um ex-aluno e ventilei a idéia de tu comentares com ele do contato e este ficar fazendo troça da situação. E te digo: Odeio parecer bobo, apesar de ser.

Bem, mas, na verdade, eu queria muito falar contigo. Queria muito dizer que seus olhos me parecem tristes e teu sorriso me faz bem. Gostaria de dizer que o que me move a pensar em ti é este desconhecimento da pessoa que és. Ontem, quando voltei da festa, pareceu tão vivo, no meu pensamento, teu cabelo em desalinho, que cheguei a roçar o travesseiro ao lado, tentando adormecer, no fazer de conta que eram suas madeixas que eu afagava. Poderia ser muito bom beijar seus olhos, antes de dormirmos e, ao acordarmos, soprar-lhes as cores que mais gostas.

Olha, não quero estender-me nesta ladainha piegas e repleta de platonismo, quero saber quando vou poder sentir sua pele roçar, mesmo que, furtivamente, na minha. Preciso apoiar minha cabeça no teu ombro, como fiz naquela passagem, na pista, se é que percebestes. Daí vou ouvir você falando despretenciosas palavras (ah! como imagino sua voz) no meu ouvido, enquanto eu invento outra maneira de te surpreender.