Quando o conheci era um garoto acuado, descobria sua sexualidade, percebia-se magro, começava a viver Porto Alegre. Não me fiz de rogado e ensinei-lhe muito. O ruivo se apaixonara, mas era arredio e fugiu. Mais tarde descobri pelo seu blog, que fora pra um internato. Injusto. Não era tão rebelde assim.
Voltamos a ter contato por um desses sites de relacionamento há dois anos atrás. Ficamos algumas vezes nessas noites de desencontro. Mostrou-me numa, que já era adulto. Contou-me que estava namorando, cobrou-me alguns deslizes, então, dessa vez, foi ele quem me ensinou muito. O jovem de nariz largo, tez alva e com uma constelação de sardas espalhadas por ela, quer voar.
Ontem, ele me olhou menos terno, gritou verdades no meu ouvido, abraçou-me por trás na pista e mordiscou minha nuca, como há muito ninguém fazia, relatou-me a situação de solteiro recente, dançou comigo (e só comigo!), me abraçou tão forte e tão seguro...
Preocupou-se, ainda, em me levar no Mc para matar uma fome gigante, que me assolava; passeamos em Ipanema, que confesso, não conhecia e terminamos numa manhã de animadas carícias.
Rimos muito e conversamos mais ainda. Toda a vez que nos encontramos falamos no fato de termos nascido no mesmo dia e mês e acho que, se fôssemos namorados, assim seria: cada vez que alguém novo fosse apresentado, inevitavelmente, relataríamos a coincidência, como dois amantes bobos, que julgam que não foi o acaso que os colocou no mesmo caminho.


