Sobre Antony, capuccinos & medos
...uso reticências, porque esta história não pode ter começado aqui: 27 anos recém feitos, coração racional e egocêntrico, nosso mocinho envolve-se numa rede virtual para melhor entender-se (ou esconder-se). Do outro lado, alguém a quem chamaremos, genericamente, de Benvenuto.
Camus, ora, esqueci-me de apresentar o primeiro. Pois bem, Alberto Camus dá o primeiro passo e convida o mais escaldado Benvenuto – que prefere ser chamado de Ben – para dar uma voltinha na praça Madre Santa Nipônica, porém foge para tomar sorvete (o rapaz adora tomar gelado!).
Trezentos e sessenta segundos depois, Camus reencontra Ben, aflito, mas bem-disposto. Falam, gostam do que dizem, sentem-se compatíveis. Talvez seja importante dizer que são andróides, Albert é de uma montagem mais recente, dessa leva, que, às vezes, precisa recall; Benvenuto tem acessórios de série: um besouro preto para o transporte, um Rolex com a hora de amanhã e no peito um holograma de Mickey, antigo deus pós-moderno. Isto é importante para elucidar o que evoca o termo “compatíveis”, uma vez que, cada andróide terá direito a apenas um ser compatível. Assim Ele determinou.
Quando se encontram, no café, estabelecem, através das jóias oculares, o reconhecimento mútuo. Para celebrar a beleza do momento beijam-se com sabor chocolate e sobem para a décimo sétimo andar.
Plugam-se e são tão perfeitos os encaixes, que as faícas até parecem curto-circuito. Há vida. Há desconserto. Há começo. Há medos. Há desejo. Há música. Há...

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