segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Meus carnavais - parte 1




A primeira vez que eu lembro de ter ido a um baile de carnaval foi no Clube Remi, apesar de haver relatos de um baile anterior, em que eu trajava uma bela fantasia de pirata, mas desse eu não tenho absolutamente nenhuma recordação, talvez pela tenra idade ou por que bebi todo o rum da festa. Porém, o do clube eu lembro bem: Prédio no alto de um morrinho (que hoje abriga o quartel da polícia... Aliás, bem que poderiam fazer outros bailes, agora, por lá. Delícia!), teto arredondado - coisa muito comum em Campo Bom, para prédios datados dos anos oitenta-, gramado bem aparado ladeando tudo. Por dentro tínhamos um assoalho meio bambo e uma pista imposta por mesas e cadeiras ao redor dela.

Quente! Era muito quente o salão daquele baile infantil, que, ao meu ver, tinha a mesma proporção de adultos e crianças. Estranho, não? Um baile infantil com caras bem grandinhos, mamados de cerveja, divertindo-se ao som de marchinhas carnavalescas com letras de duplo sentido, mulheres abanando-se com leques de cartolina com o emblema do guaraná Charruá e fofocando da vida alheia. As crianças? Ah! As crianças, vez ou outra, eram lembradas e colocadas sobre os ombros de algum marmanjo, no resto do tempo eram deixadas na pista com um saco de confete e serpentina; isto servia não só para a diversão dos infantes, mas também como lanche da tarde. Era magnífico ver seus rostinhos fazendo careta ao deglutirem aquelas pequenas bolinhas de papel colorido.

Não fomos, meu irmão e eu, os únicos privilegiados a serem levados pelos meus pais a este maravilhoso evento vespertino-dominical. Levaram também a Sheila, minha vizinha, um pouco mais nova que eu, ela usava uma saia a la Carmem Miranda e tinha aqueles malditos&lindos cachos negros presos com um laço num rabo-de-cavalo, tudo salientado por uma maquiagem carregada e purpurina. Minha mãe, que sempre quis uma filha menina, foi quem a ornou. Nós, os guris, ganhamos uns colares havaianos. Confesso, a produção de minha amiga causou-me inveja, babados de tule com lantejolas douradas na barra, são de arrasar, né?

Meus pais eram jovens, talvez por isso, lembro de uma quase-briga que eles tiveram, porque uma ex-namorada do meu pai estava lá, e se não foi esse o motivo que fomos embora, talvez tenha sido o fato de mamãe ter sido assediada, coisa muito comum, já que era muito bonita.

Uma experiência nova na mente de um menino de cinco anos, tornou-se aquele bailinho. Tanto é verdade, que trago, até hoje, essas imagens. Basta saber o que disso tudo foi verdade ou o quanto minha memória afetiva produziu.



Um comentário:

Anônimo disse...

oieeeeeeeee